Vitrine e Visibilidade: Educar em Privado, Convocar em Público
Recomendação 03 · Prontidão de Mercado
Os dados robustos são o primeiro passo. Segundo, e talvez o mais importante, é comunicá-los aos atores apropriados no momento apropriado, em público e em privado.
Em privado, é essencial educar os investidores sobre a viabilidade e a relevância estratégica de Deep Tech, uma área tradicionalmente ausente de suas considerações, e ainda mais em torno da LATAM. Essa lacuna de informação também inclui os investidores locais fora do radar: regiões como o sul da Argentina abrigam uma riqueza considerável e longamente acumulada, muitas vezes ligada ao petróleo, à agricultura e à mineração, mas muitos guardiões de capital locais carecem de exposição a classes de ativos alternativas como as startups e Deep Tech.
Em público, um mosaico de iniciativas, de podcasts e newsletters a demo days e cúpulas nacionais, trabalha para dar destaque ao talento de deep tech. Exemplos notáveis incluem o Deep Tech Summit da EMERGE em São Paulo (lançado em 2024); o Impacto Deep Tech LATAM, coorganizado no litoral do Uruguai por CITES, Draper Cygnus, GRIDX, Air Capital VC e The Ganesha Lab com apoio do IDB Lab; a Draper Cygnus Tech Week 2025 no Cone Sul; o U.S. Biotech Roadshow 2025 da GRIDX; o Genera Summit da Alianza Deep Tech Colombia em Bogotá; e o BIGinBIO da The Ganesha Lab junto ao Go Europe Connect da CORFO.
Essas iniciativas são vitórias genuínas, mas, à medida que o ecossistema se expande, os esforços que correm programa a programa e país a país podem derivar em duplicação, sinalização fraca e efeitos de rede perdidos por falta de uma arquitetura unificadora.
Essa educação não deveria se apoiar apenas na teoria. Os exemplos do mundo real são essenciais: startups que garantiram rodadas de follow-on, entraram em mercados regulados ou traduziram descobertas científicas em produtos comerciais servem como provas que desmistificam o caminho de deep tech.
# Recomendações: Educar em Privado, Convocar em Público
Do lado privado, os governos, as corporações e os atores regionais podem instituir iniciativas dedicadas de educação de investidores em Deep Tech, formais e informais, que abordem os requisitos de capital, os prazos de P&D, as estratégias de saída e as métricas de sucesso específicas de cada setor. Ao desenhar programas voltados a indivíduos de alto patrimônio, a região pode cultivar uma nova classe de investidores-anjo.
Em público, o objetivo é convocar um único fórum carro-chefe de Deep Tech: não uma conferência rotineira, mas um encontro de destaque que coloque a América Latina de vez no mapa global de investimento. Uma mistura curada de exposições, sessões magistrais e roadshows de investidores mostraria as forças da região, enquanto uma estratégia de convite intencional garante que a sala inclua LPs internacionais e corporações estratégicas. Coordenadas sob uma estratégia compartilhada, as faíscas dispersas de hoje se coesionariam em um farol regional.