Ceticismo em P&D
Painéis de revisão por pares por vertical e um selo de endosso portátil
Investidores disseram às mesas do LADP que descontam a ciência de universidades que não reconhecem. Convoque conselhos por vertical que revisem empreendimentos em TRL 3–5 e emitam um selo que investidores leem.
O fundamento
Os empreendimentos de deep tech nascem de anos de pesquisa em nível de doutorado, então, na fase seed, o risco dominante é saber se a ciência se sustenta, antes de qualquer risco de mercado. Um sócio que não consegue situar o laboratório não tem como testar isso de forma barata, e a resposta padrão passa a ser adiar em vez de decidir. O Boston Consulting Group estimou em 2023 que todo o percurso, da pesquisa e da prototipagem até a validação e a comercialização, leva de 25% a 40% mais tempo para se converter em retorno do que em uma empresa de software convencional; uma due diligence que trava diante de uma procedência desconhecida alonga um relógio que já é longo. O relatório registra que essa deliberação é por vezes lida como viés.
A proposta é um painel imparcial por vertical, reunindo cientistas seniores e gestores de transferência de tecnologia de instituições como MIT, Stanford, ETH Zurich e Cambridge com pesquisadores latino-americanos que já comercializaram: USP, Unicamp e UFMG no Brasil, UNAM no México, PUC Chile, CONICET na Argentina. Os painéis revisariam desenho experimental, reprodutibilidade e robustez da PI em TRL 3 a 5. Os empreendimentos aprovados receberiam um selo de endosso para materiais de investidores, além de apoio técnico e de políticas sob medida, e os conselhos publicariam um informe anual “Estado da Ciência de Deep Tech”. O desenho pretende encurtar a due diligence; nada mede ainda se ele de fato encurta.
A objeção óbvia é que um selo emitido por quem promove os empreendimentos não vale nada. A independência precisa ser construída: sediar os conselhos em uma multilateral como o BID, em um órgão acadêmico intergovernamental ou em um consórcio de universidades líderes da LATAM, e não dentro de um veículo de investimento; publicar a metodologia; e financiar-se por uma combinação de parcerias público-privadas, aportes multilaterais e filantrópicos e patrocínio vinculado a programas, com honorários equilibrados por incentivos não financeiros. Vale também dizer o que um painel não resolve. A ALC investe 0,57% do PIB em P&D contra uma média mundial de 1,92%, e nenhum selo substitui isso.
A evidência
O que destrava
Due diligence que parte de uma revisão independente da ciência, e não da reputação da universidade no currículo do fundador.
Já foi feito antes
O Selo de Excelência do Conselho Europeu de Inovação
No âmbito do Horizonte Europa, o EIC já concedeu mais de 300 Selos de Excelência a propostas que seus júris independentes de especialistas julgaram financiáveis, mas que ficaram fora da linha orçamentária. O Selo não vem com dinheiro. É um veredito portátil, emitido por terceiros, sobre qualidade científica e comercial, e outros financiadores agem com base nele, incluindo agências regionais como a Innoviris, em Bruxelas, que mantém uma linha de financiamento dedicada a quem detém o Selo. Um rótulo de validação funciona quando o júri é independente do dinheiro.
Primeiros movimentos
- 0–6 meses
Montar dois painéis-piloto com uma carta pública
Convoque um conselho para biotecnologia e outro para materiais avançados, de seis a oito membros cada, metade vinda das instituições da LATAM que mais depositam patentes e metade de laboratórios estrangeiros. Publique a carta que rege conflitos de interesse, honorários, impedimentos e via de recurso antes da primeira revisão.
Secretaria da coalizão LADP + IDB Lab - 6–18 meses
Publicar a rubrica e revisar os primeiros 30 empreendimentos
Divulgue como documento aberto a rubrica de TRL 3–5 que cobre desenho experimental, reprodutibilidade e robustez da PI, conduza 30 revisões e emita os selos com registro público de quem revisou o quê, quando, e que proporção dos candidatos foi reprovada.
Os painéis-piloto + escritórios universitários de transferência de tecnologia (USP, UNAM, PUC Chile, CONICET) - 18–36 meses
Vincular o selo ao capital e publicar o informe anual
Obtenha compromissos por escrito de ao menos três fundos regionais e dois programas públicos de fomento para tratar o selo como insumo de due diligence, e publique o primeiro informe “Estado da Ciência de Deep Tech”, listando as tecnologias validadas e o registro de revisão por trás de cada uma.
Bancos de desenvolvimento (BID, CAF) + agências nacionais de inovação (CORFO, FINEP, ANPCyT)
Como saberíamos que funcionou
- Empreendimentos revisados em TRL 3–5 por ano, publicados no informe anual junto com a taxa de aprovação, chegando a 100 revisões no terceiro ano.
- Mediana de dias entre o primeiro contato com o investidor e o term sheet para empreendimentos com selo, comparada a uma coorte pareada de revisados sem selo, acompanhada pelo Observatório de CVC × Deep Tech, em queda.
- Fundos e programas públicos de fomento que listem formalmente o selo em um checklist de due diligence publicado, contados no site da coalizão, superando dez.
- Proporção de detentores do selo que fecham uma rodada internacional em até 18 meses após a revisão, reportada anualmente pelos conselhos.
O que pode dar errado
Captura pelas partes cujos empreendimentos são revisados
Um painel sediado ou pago por quem detém participação nas empresas revisadas produz um selo que nenhum investidor externo precifica. Contenção: sedie os conselhos fora de qualquer veículo de investimento, publique as afiliações e os impedimentos de cada revisor junto com cada selo, e limite o patrocínio corporativo vinculado a programas como proporção do orçamento anual.
Um selo que ninguém pede
Investidores internacionais não têm obrigação de ler um rótulo emitido por uma instituição que não conhecem, e um painel que revisa 30 empreendimentos por ano sem que ninguém o cite é uma newsletter cara. Contenção: obtenha reconhecimento de fundos e programas de fomento nomeados antes do segundo ciclo de revisão, e publique as taxas de rejeição para que o critério fique visível de fora.
Quem age
Apoia-se em
02 Métricas e Casos de Sucesso Um framework de KPIs para deep tech
14 Pesquisa e Visibilidade Um bem comum de dados abertos e um catálogo de financiamento
15 Um Fórum Pan-LATAM Um evento de destaque, uma divulgação anual de KPIs
Os dados que a sustentam
Os dados europeus da Hello Tomorrow mostram que empreendimentos de deep tech não quebram com mais frequência nem saem mais devagar que a tecnologia tradicional. Se as saídas são maiores, ainda é inconclusivo.
FonteHello Tomorrow, Deep Tech Investor Mapping (LATAM) & The 2025 European Deep Tech Report
| Categoria | Valor |
|---|---|
| Empresas de deep tech quebram com mais frequência? | Não |
| Precisam de mais tempo para sair? | Não |
| Têm saídas maiores? | Inconclusivo |